Camilla Rodrigues é geóloga e faz parte do jovem time de Geofísica Aplicada da Tetra Tech América do Sul. Petropolitana, ela se mudou para Belo Horizonte assim que se formou para integrar a esse time e ser uma das especialistas em microssísmica. Ela já representou a Tetra Tech em eventos para a ANM (Agência Nacional de Mineração), Observatório Nacional e diversas universidades brasileiras referência nessa área.

A microssísmica é hoje um dos melhores exemplos da Tetra Tech América do Sul sobre como Liderar com Ciência. Como você avalia as possibilidades de inovação tecnológica e produção científica para sua área de atuação?

É de conhecimento do time de Geofísica Aplicada da Tetra Tech que inovação não é construída sem parcerias científicas. Dessa forma, a equipe possui parcerias com centros de pesquisa nas principais universidades do Brasil. Além disso, a equipe tem sido convidada a ministrar palestras e cursos em diversas universidades federais e instituições científicas. Temos parceria e exclusividade no Brasil para instalar os sistemas de monitoramento microssísmico da IMS (Institute of Mine Seismology), líder mundial no fornecimento dessa tecnologia e única a dispor de técnicas para o monitoramento pela interferometria sísmica do ruído ambiente.

O time tem se empenhado a participar dos principais fóruns de discussão científica sobre barragens e métodos geofísicos. Um bom exemplo é que elaboramos um capítulo de livro do principal congresso de barragens do mundo, o ICOLD. Nós vemos essas publicações com uma forma de mostrar a capacidade técnica da Tetra Tech e difundir o conhecimento.

De que forma os métodos geoelétricos auxiliam na investigação das estruturas geotécnicas?

Os métodos geoelétricos são um grupo de métodos que se fundamentam nos campos elétricos e eletromagnéticos, sendo alguns dos principais métodos aplicados a estruturas geotécnicas, a exemplo dos métodos de eletrorresistividade, polarização induzida e potencial espontâneo.

Esses métodos são investigativos, pouco invasivos e se baseiam na determinação de propriedades físicas e no contraste entre elas, representando uma caracterização do momento de aquisição. São muito importantes, pois fornecem um conhecimento complementar, caracterizando a estrutura com base em outras propriedades físicas não utilizadas usualmente.

Qual foi o maior desafio enfrentado nos projetos que você atuou na Tetra Tech? E qual foi a solução dada?

Estamos trabalhando em 25 sistemas de monitoramento microssísmico, entre já instalados e em processo de instalação. O maior desafio é atender com excelência todos os nossos clientes e ainda assim manter o caráter inovador dos nossos trabalhos. Sempre buscamos nos aprimorar, estudando novas formas de atender nossos clientes.

São muitas estruturas e o trabalho tem sido hercúleo. É extremamente gratificante quando recebemos o reconhecimento de nossos clientes e da comunidade técnico-científica.

Os projetos de microssísmicas ainda estão muito direcionados para a mineração, especialmente para as barragens de rejeito. Na sua percepção, de que forma a Tetra Tech poderia atuar em outros mercados?

Temos em mãos uma tecnologia inovadora capaz de perceber com alta sensibilidade ganhos e perdas de rigidez e, além disso, capaz de detectar sinais enviados pela estrutura (ondas mecânicas). Logo, temos inúmeros cenários possíveis de serem monitorados.

Hoje a Tetra Tech está focada no nicho da mineração, tendo exclusividade com a IMS (Institute of Mine Seismology) para instalar a tecnologia em barragens. Entretanto, a tecnologia pode ser implementada em outras estruturas, como encostas, cavidades, túneis, barragens de reservação de água e outras obras de engenharia.

Apesar de muito jovem, você já falou para plateias com profissionais renomados. Qual foi a experiência de apresentar a microssísmica ao mercado brasileiro que mais marcou sua vida e por quê?

O primeiro curso que ministrei foi para a Agência Nacional de Mineração (ANM), em agosto de 2019. Eu tinha um ano de formada e não esperava ter esta oportunidade tão cedo. Especialmente para a ANM, que tem um poder tão grande e um corpo técnico tão qualificado. A Tetra Tech ofereceu a eles um curso em monitoramento microssísmico para capacitação de seus técnicos e, com isso, eu ministrei o treinamento de um dia para a equipe de aproximadamente 10 pessoas.

Nessa oportunidade, percebi a importância do que nós fazíamos e o impacto que isso tinha e tem na indústria da mineração brasileira. Certamente isso me marcou muito, pois percebi que estava em uma equipe de alta performance, com alto potencial inovador e formadora de opinião. Nesse momento, entendi que fazia parte de um time que liderava com ciência.