Bruno Passa nasceu no interior da Guiné-Bissau e veio para o Brasil no início do 2008 como aluno do Programa Estudante Convênio de Graduação (PEC-G), somente para estudar oceanografia na Unidade Federal de Rio Grande. Hoje, residente permanente, é um dos oceanógrafos especialistas em modelagem de dispersão de óleo e derivados da Tetra Tech América do Sul. Com quase 10 anos de experiência, já atuou em projetos icônicos nacionais e internacionais.

Quais são dos diferenciais da Tetra Tech América do Sul na área de modelagem numérica computacional de transporte e dispersão de petróleo e seus derivados químicos?

Desde 2001, a Tetra Tech no Brasil é pioneira no segmento de modelagem numérica de dispersão de poluentes, com mais de 2.000 projetos já executados nos âmbitos internacional e nacional. Atuamos em todos os corpos hídricos, costeiros e oceânicos, em águas profundas e rasas. Coordenamos e apoiamos licenciamentos de projetos de grande importância nacional e econômica, como as perfurações no Pré-Sal. Hoje, nossa equipe de Óleo e Gás oferece mais de 5 atendimentos semanais, desde análise de risco ambiental até modelagens com diagnóstico de casos reais, modelagem para o atendimento a emergências de derramamento de óleo. Além de modelagem para busca e resgate no mar para acidentes com perda de homens a bordo, objetos ou embarcações naufragadas.

De que forma a Tetra Tech América do Sul Lidera com Ciências utilizando tecnologia de ponta nos projetos de óleo e gás?

Nossos projetos de óleo e gás demandam conhecimento técnico e uma rede significativa de ferramentas interdependentes para uma boa análise dos resultados da modelagem. O conhecimento aprofundado de cada ferramenta auxilia no grau de complexidade na análise e na produção de melhores resultados para os nossos clientes.

Por isso, é indispensável para Tetra Tech que seus colaboradores usufruam das melhores (não necessariamente as mais caras) ferramentas de análise e investimento tecnológico constante. E, para liderar com ciência, é importante também que estas ferramentas estejam em mãos certas e no momento certo para fazer a diferença. Nossa equipe, além de qualificada, com conhecimento interdisciplinar e com décadas de experiência no mercado, está constantemente em busca de conhecimento, acompanhamento das atualizações, leis ambientais, além de manter contato direto com instituições de ensino superior na busca por novas metodologias, estagiários e profissionais.

Como a sua expertise em Geoprocessamento e os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são relevantes para os projetos em que você atua?

As ferramentas do GIS e do Python são a base do processamento e pós-processamento dos resultados de saída do modelo de óleo, e nos auxiliam desde o uso simples como visualizar resultados ou elaborar mapas de vulnerabilidade e sensibilidade ao óleo, até em processamento mais complexos, como um conjunto de análises e técnicas complexas relacionadas ao tratamento de informações espaciais para a produção de resultando que os modelos não disponibilizam em seus outputs, tornam-se um aliado indispensável para nossos projetos.

Por que as Análises de Riscos Ambientais (ARA) são importantes em acidentes com vazamento de óleo?

Qualquer empresa que exerça atividade que possa ser considerada perigosa para a saúde e segurança do meio ambiente e, consequentemente, para a população, como por exemplo, as atividades que apresentam ricos de possíveis vazamentos de óleo precisa de licença de operação junto aos órgãos ambientais fiscalizadores.  O processo pelo qual é feita a avalição da licença é por meio do estudo de ARA em que se quantifica e qualifica os riscos de cada operação da empresa utilizando diferentes cálculos, cruzamento de informações digitais e espaciais e análise de vulnerabilidade ambiental. Essas informações fornecem subsídios para o desenvolvimento do Programa de Gerenciamento de Risco (PGR), o Plano de Ação Emergencial (PAE) e Plano de Emergência Individual (PEI) que, juntos, elevam o nível de segurança operacional e ambiental como um todo.

A formação de sua família é multicultural. Como vocês lidam com essas diferenças e como isso influência na criação de sua filhinha?

Eu amo o Brasil, é minha segunda casa. Famílias brasileiras, eu vejo que, no geral, são multiculturais. O povo brasileiro é constituído de diferentes povos, índios, africanos, europeus e orientais, que o torna um dos mais ricos culturalmente, apesar também de grandes questões sociais e históricas não ou “mal resolvidas”, como é o racismo estrutural, por exemplo.

Eu me sinto em casa no Brasil porque tem muitas identidades culturais com a Guiné-Bissau, são países colonizados por portugueses, mais da metade da população brasileira se considera negra, falamos a mesma língua oficial (português), boa parte da culinária, música e danças brasileiras tem influência direta dos africanos, também temos muitas similaridades com problemas sociais como pobreza e desigualdade social, e somos países do 3° mundo. A criação da Zahara está sendo como qualquer outra criança, com algumas peculiaridades que só os pais de uma menina preta vão entender. Trabalhamos continuamente a autoestima e a autoconfiança dela, e ela está entendendo que tem fortes raízes na África e o povo africano tem uma riqueza social e cultural inegável, acolhedores e humildes.